A DOMESTICAÇÃO DO FOGO

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Crônica de Elias Daniel de Oliveira (31/01/2016)

Uma das principais descobertas do homem pré histórico foi a domesticação do fogo. Até então eles eram vulneráveis e não tinha quase nenhum poder sobre a natureza. As primeiras tribos que conseguiram a habilidade de criá-lo ganharam prestígio perante as outras. Mas pudera, a humanidade passou por uma transformação sem precedentes utilizando o fogo em todas as suas evoluções.
O fogo é uma manifestação de combustão rápida com emissão de luz e calor. O fogo é constituído por três entidades distintas, que compõem o chamado “Triângulo do Fogo”. São eles o combustível (aquilo que queima, como a madeira), o comburente (entidade que permite a queima, como o oxigênio) e o calor. Sem uma ou mais dessas entidades, ele não poderia existir. Não é a toa que ele faz parte dos quatro elementos, juntamente com o ar, a água e a terra.  Essa expressão refere-se ao que seria essencial à vida humana no planeta. Se considerarmos como tipos de matéria que formam a natureza, a expressão está errada, pois fogo não pode ser considerado uma matéria natural, pois trata-se do resultado de uma reação química. Pra todos os efeitos, os antigos astrônomos, principalmente na Grécia antiga reservavam todos os méritos da evolução da humanidade a estes quatro elementos.
Seria impossível viver hoje sem o fogo. No fundo ele assusta, causa pânico e destrói. Em contrapartida, é responsável pelo cozimento do alimento, bem como é a peça fundamental na metalurgia que proporciona a comodidade do homem. Ainda hoje nos lugares mais frios ele queima na lareira para aquecer as pessoas e onde não existe energia elétrica ilumina a escuridão.
Muitas músicas religiosas utilizam o fogo como algo que possa queimar o pecado ou tudo aquilo que não faz bem ao bom cristão. O fogo santo que vem de Deus tem o propósito de aquecer os corações e aumentar ainda mais a fé. A própria vela que utiliza o fogo para mostrar que está viva é o principal símbolo de religiosidade e reforça a intimidade com Deus.
Parece um pouco antagonismo utilizar o fogo como expressão religiosa enquanto ele é também referencia do inferno. Bom, o anjo que se desligou de Deus e montou seu próprio império foi Lúcifer, considerado o anjo da luz. Lá no seu reino, o fogo tem o propósito de destruição, queima total e destruição do homem. O fogo que vem de Deus tem uma ligação com purificação e libertação dos pecados.
Linda referência fez Luiz de Camões em um de seus poemas: “O Amor é fogo que arde sem se ver. É ferida que dói, e não se sente. É um contentamento descontente. É dor que desatina sem doer”. As suas palavras viraram música na voz de Ivan Lins e a comparação foi bastante salutar. Afinal de contas, um belíssimo amor carrega consigo o ardor de uma paixão.
Na carta de São Tiago na Bíblia (cap. 3, vers. 6) é possível ler a comparação que ele faz com a língua, como algo que pode destruir de maneira incontrolável, “A língua também é um fogo; como mundo de iniquidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno”. É como dizer que ela se assemelha a um palito de fósforo que é tão pequenininho, mas pode causar inúmeros danos como eliminar uma floresta inteira ou mesmo destruir o mundo. Quantas vezes assistimos incêndios que os bombeiros tiveram dificuldade de apagar em florestas no período de seca, São Tiago também diz que a língua, por intermédio da fofoca, da mentira e das maldades ditas pode causar tanto dano quanto, difícil de ser consertado.
Sendo então tão poderoso, o que poderá vencer o fogo? Os historiadores deixaram claro que o fogo além de ter sido descoberto pelos primitivos, foi domesticado por eles. Isto significa dizer que ele pode ser aceso e logicamente ser apagado. Normalmente o sopro (vento), a água ou dependendo da sua fúria, o extintor. Mas, como o combustível não se mistura na água, aquele provocado pela gasolina nunca conseguirá ser eliminado pela água e muito menos pelo sopro. O fogo dos sentimentos também não se apaga apenas com a eliminação da chama, mas é um processo bem mais delicado, como disse a escritora Noah Calhoum: “O melhor amor é aquele que acorda a alma e nos faz querer mais, que coloca fogo em nossos corações e traz paz às nossas vidas”.
Para encerrar, nos apoiemos nos dizeres do filósofo Heráclito: “Quando a casa do vizinho está pegando fogo, a minha casa está em perigo”. Aprendamos com os sábios a também domesticar o fogo, tanto o verdadeiro que cozinha o alimento, mas também destrói como aquele que é referência para os nossos sentimentos.

Crônica de Elias Daniel de Oliveira (31/01/2016)

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