A CHAMA SOLITÁRIA DE UMA VELA!

candle

Queimando ali no altar ou próxima a imagem, a vela ganha seu momento de importância enquanto um objeto que não tem interesse de intensificar a luminosidade, mas revelar algo sagrado e proporcionar a religiosidade de quem a contempla. Cabe a ela separar o sagrado do profano e traduzir pelas suas variadas cores os mais diversos significados. Com aquela chama solitária, a vela tem a função de levar o seu admirador para dentro de si e fazê-lo interiorizar-se cada vez mais.

Não há uma precisão quanto a sua origem, mas estudiosos apostam as suas fichas nas pinturas encontradas em cavernas, que se estima terem sido feitas cerca de 50.000 anos a.C., mostrando que naquela altura a luz era fornecida por recipientes com gordura animal no estado líquido, nos quais se usavam fibras de plantas que funcionavam como pavio. As primeiras referências datam do séc. X a.C. e vêm referidas em textos Bíblicos. Essas velas eram nada mais que simples de juncos besuntados com sebo. Descobertas arqueológicas encontraram no Egito e na Grécia velas com formato de bastão. Para os gregos elas simbolizavam o luar e constatou-se que na Grécia eram usadas ao 6º dia de cada mês como adoração a Artemisa, a deusa grega da caça.

A sua utilização nos velórios ao lado do defunto, remonta certa esperança que a vida ainda continua, embora o observador possa entender que aquela fraca luz que vai se consumindo lentamente, seja a melhor interpretação do momento, onde aquele corpo que ainda ali se encontra, vai partir sem nunca mais voltar. A expressão velório tem também uma relação à vela para mostrar aos entes queridos que existe algo de sacro naquela despedida, se Deus envia a pessoa ao mundo, cabe a ele também levá-lo de volta.

Há todo um misticismo que a envolve. Muitas seitas e grupos religiosos não cristãos a utiliza não para ornamentar o ambiente, mas para reforçar a sua filosofia. Povos antigos acreditavam que a chama das velas, quando observada fixamente permitia ver deuses e espíritos ou mesmo prever o futuro. Mais ou menos parecido com a expressão VELAR, que significar vigiar, tomar conta. Os defensores destas ideias alegavam ter vida naquelas chamas, com capacidade de interferir o íntimo das pessoas.

Pela história assiste-se a outras utilidades das velas, como por exemplo, a medição do tempo devido à sua combustão cadenciada, assim praticava o Imperador Song na dinastia chinesa.

Na Idade Média, as velas iluminavam igrejas, mosteiros e salões. Nessa época o clero aconselhava o uso de velas brancas para afugentar as bruxas, por sua vez os agricultores preferiam as sacras para proteger o seu rebanho. O material mais comum para confecção era a utilização do sebo de animais, o que acarretava a desvantagem de criar muito fumo e de ter um cheiro bastante desagradável. Uma segunda opção era a de fazer velas com a cera de abelhas, o pior problema era a aquisição de tanta cera para a produção que atendesse a demanda.

Assim, a atividade tornou-se lucrativa nas mãos dos artesãos, independente do material utilizado, só em Paris, no ano de 1292, foram contabilizados 71 fabricantes de velas. Isto sem contar o comércio de castiçais e candelabros.

Hoje a comercialização de intensificou. Há uma procura muito forte para assuntos religiosos bem como para ornamentação com a utilização de velas aromatizadas. Mesmo com esta segunda finalidade, a vela ornamental dentro de uma casa ainda traduz um sentido religioso ou mesmo um clima sacro.

Pedir a proteção de Deus em uma oração utilizando uma vela ajuda a intensificar a intenção. A atitude parece ajudar atrair a luz necessária para aquele momento e aquilo que até então é sombrio e clamoroso, encontra uma solução e a convicção de que a oração está sendo atendida.

A sua utilização para proporcionar a claridade somente acontece em situação de emergência. Todos mantêm em casa alguma vela para segurar a barra no momento em que luz elétrica vir a faltar. Povos rurais ou do passado, na época da não existência da eletricidade, preferiam o uso de lamparinas, até mesmo porque a vela acaba rápido, ilumina pouco e acarretaria uma despesa desnecessária, isto sem contar o perigo da sua queda e a possibilidade de acidentes.

Se preferir, o mercado também oferece a vela de sete dias. A sua durabilidade se mantém porque ela não derrete pra fora e é utilizada em orações que exige a sua permanência por este período. A sua luminosidade é fraquinha e como junto do pavio tem um fino metal que a mantém acesa, dura bastante, o que não significa que também não possa ocasionar perigo.

Jesus sempre pedia para todos ser luz, assim como Ele era. Utilizando a ferramenta de hoje, é interessante ser bem mais do que uma vela, isto porque ela ilumina pouco, acaba rápido e pode acarretar acidentes. Ser luz na concepção cristã é ser um verdadeiro holofote que ilumina a todos e proporciona o Reino de Deus aqui na terra.

Crônica de Elias Daniel de Oliveira (17/05/2015)

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