A ARTE DE BEM OUVIR

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Crônica de Elias Daniel de Oliveira (17/04/2016)

Um dos aparelhos do corpo humano mais impressionante é o AUDITIVO. Certamente quando Deus o

criou, utilizou uma inspeção milimétrica de engenharia para ter sucesso naquela obra que seria ao mesmo tempo

extremamente sensível e de uma força enorme. Cabe a ele enviar ao cérebro mensagens que auxiliarão no

desenvolvimento humano a partir das melodias agradáveis ou agitadas, bem como informações para a memorização

das informações.

Existe um limite de decibéis suportável aos ouvidos e caso haja uma extrapolação ocorrerá uma

dificuldade de compreensão ou mesmo um dano maior. Por exemplo, o som da respiração, sussurro, ambiente rural,

biblioteca, conversa mansa, escritório, restaurante e o volume de uma TV dentre outros, não ultrapassa 70 decibéis e

não faz mal nenhum ao ser humano. No entanto, o som de uma fábrica, de um processador de alimentos de um

cortador de grama ou motocicleta pode causar possível dano à audição, principalmente se a ação for prolongada.

Um show de rock utilizando 110 decibéis, uma serra elétrica com 120 decibéis por proporcionar dor imediata se

houver exposição prolongada e por sua vez, ouvir a decolagem de um avião que chega a 130 a 150 decibéis, pode

ocasionar a perda imediata da audição ou possível rompimento do tímpano. Estas informações são do site wikihow.

Independente da proximidade, o sistema auditivo está ligado ao cérebro diretamente ajudando-o a

administrar o corpo. Com um barulho intenso, o cérebro fica sem ação e desgovernado. É possível perceber o que

acontece com um carro transitando pelas ruas ou rodovias com o som ultrapassando os limites de aceitação do

organismo e o motorista dirigindo como se fosse um zumbi. O ato de dirigir exige uma singular importância na

audição. Por mais silencioso que o carro seja, o motorista precisa ouvir o barulho produzido por ele, bem como ficar

atento aos sons externos. Assim, é possível dizer que os ouvidos exercem uma importância enorme no ato de dirigir

tal como os olhos.

Não há no interior do ouvido uma chavinha de volume para aumentar a potência ou reduzir no momento

de exageros. O que melhor pode ser feito é cuidar bem dele, fundamentalmente na higienização evitando os

excessos para não correr o risco de romper o tímpano. Procurar ambientes calmos, pelo menos de vez em quando, é

um remédio perfeito para a manutenção dos ouvidos. Quando ao som alto que você não tem condições de evitar,

pelo menos tente não concentrar muito nele e veja a possibilidade de fazer um silêncio consigo mesmo e assim,

amenizar a situação.

Já notou que às vezes é possível administrar a capacidade de audição? O uso, por exemplo, do silêncio,

uma boa concentração, respiração e atenção pode te fazer ouvir mais do que o normal. À noite sem a presença da

luz a audição parece intensificar, já percebeu? Enquanto o sono não vem e nenhum outro ruído ocupa o ambiente, é

possível escutar o mínimo ruído do interior de uma porta sendo atacada por carunchos.

Interessante também o uso do ouvido pelos musicistas, fundamentalmente os afinadores de

instrumentos e membros de orquestras sinfônicas. Eles têm uma incrível capacidade de julgar uma nota em questão

de segundos no seu minúsculo toque. Este privilégio é reservado àqueles que têm dom ou mesmo passam por

treinamentos intensivos.

Na Bíblia é possível ler a expressão: “Ouvi o que foi dito…”. A ideia é que, mais do que ouvir, faz-se

necessário assimilar. Ao ouvir aquilo que Deus fala por intermédio dos seus profetas e evangelizadores, acontece

uma ultrapassagem dos limites da audição e surge neste instante um comprometimento, inserção e sentimento.

Uma mensagem enviada ao cérebro não pode ser reduzida à meras palavras, mas precisa alcançar o seu objetivo.

O escritor Augusto Branco disse que, “É preciso saber ouvir e saber calar. Por falar apenas e pouco pensar,

pessoas cometem erros difíceis de reparar depois. E por ouvir tanto menos do que pensam, piores erros cometem

ainda…”. Como é importante o ato de bem ouvir! Às vezes é preciso ouvir as vozes vindas coração. Há uma relação

muito grande entre audição e sabedoria. Certa vez alguém disse uma frase bem legal: “Deus deu ao homem dois

ouvidos e uma boa, para ouvir o dobro do que se fala”. Também o escritor Reges Cordeiro assim comentou: “Poucos

têm a humildade de saber ouvir… Muitos só sabem falar… Quem escuta vai longe, quem só fala não vai a nenhum

Um bom psicólogo ou psicanalista usa bem mais os ouvidos do que a boca no tratamento dos seus

pacientes. O mundo precisa muitissimamente aprimorar esta prática. Se as pessoas ouvissem mais do que

desejassem argumentar, seriam menos violentas, agressivas e agiriam mais sabiamente. O saudoso Charles Chaplim

já dizia: “Às vezes só precisamos de alguém que nos ouça, que não nos julgue, que não nos subestime, que não nos

analise, apenas nos ouça”.

Enfim, fica ai a dica: Ouça mais do que fale. O símbolo da Filosofia é a coruja, talvez por ser observadora e

não o papagaio que fala aquilo que lhe vem à cabeça. Siga a lição dos grandes sábios que sempre ouviam mais do

que falavam. A produção das palavras e dos argumentos inicia-se com aquilo que é ouvido.

Crônica de Elias Daniel de Oliveira (17/04/2016)

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