INTEMPÉRIES

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Crônica de Elias Daniel de Oliveira (10/07/2016)

A vida é cheia de surpresas! Parece até uma novela em que o diretor fica procurando novidades para não perder a audiência. O problema é que nem sempre as ações inesperadas são interessantes, muitas vezes são trágicas para não perder a emoção esperada pelo expectador. Como seria bom se a pessoa pudesse traçar os seus caminhos! Uma antiga frase até que tenta amenizar os impactos: “Se na vida não tiveres problemas, pode ser que a sua luta não seja justa”.

Uma coisa é certa, Deus não tem culpa nenhuma nos percalços da vida. A grande maioria dos problemas é proveniente da fragilidade humana. Na verdade o homem parece não saber lidar com a vida e sofre tanto nas situações complicadas como nas simples. Tudo isto acarreta a doença do século, aquela maldita que todo mundo chama de depressão. Os médicos nunca conseguem diagnosticá-la com precisão, eles sempre trabalham na hipótese de cansaço, trauma, tensão, preocupação excessiva, medo, ansiedade, dentre outros. Os remédios recomendados são tranquilizantes, soníferos e muitos outros que atuam mais no psicológico do que no físico. O mundo parece estar cobrando mais do que cobrava no passado e a velocidade do tempo está sempre muito além a que o homem possa acompanhar.

É chato dizer, mas é daí pra pior. Um elevado número de produtos industrializados, enlatados e químicos surge todos os dias causando diversas doenças. Por incrível que pareça, o câncer virou epidemia, é o preço que a modernidade cobrou para proporcionar mais comodidade nas pessoas. Assim, aquilo que viria para ajudar, causa grandes males na humanidade.

Outro fator que tem intensificado as preocupações no momento é a confiança nos governantes e superiores e por sua vez a decepção diante das suas incompetências. Esta situação tem deixado o cidadão cada vez mais atolado nas suas decepções e colaborando para intensificar a queda da sua autoestima. Com isto aquela luzinha no fim do túnel não parece querer aumentar ou se aproximar, muito pelo contrário mais se distancia.

Partindo do pressuposto que é impossível viver sem dinheiro nesta sociedade tremendamente capitalista, o homem do século XXI sofre com a desigualdade econômica e social. Por mais que trabalhe sempre vai ter que gastar ainda mais e o dinheiro nunca será suficiente para fazer valer o seu esforço. Esta crítica já tinha sido feita por Karl Marx no século XIX que achava um absurdo a divisão de classe e o enriquecimento da burguesia em detrimento do proletariado.

O tédio que tem feito o homem moderno sofrer muito vem daquilo que assiste no meio em que vive e na mídia que não poupa noticiários carregados de sensacionalismo. Ao ligar a televisão para relaxar dos problemas da vida, se depara com inflação, empobrecimento coletivo, enriquecimento ilícito, violência nos mais diversos locais, terrorismo e muito mais. Assim, ao invés de descansar, cansa o dobro.

Como já foi dito, Deus não tem culpa nos problemas dos seus filhos, ainda assim os protege. O melhor caminho então para sobreviver ao momento difícil é segurar nas mãos de Deus e ir em diante. Não se tem como negar que as intempéries da vida muito colaboram para o crescimento e para a mudança almejada por todos. Uma historinha auxilia bem esta reflexão, Certa vez, na antiguidade, havia um rei que não acreditava na bondade de Deus. Tinha, porém, um servo que sempre o lembrava desta verdade. Em todas as situações, o servo dizia: Majestade, não desanime, porque Deus é bom. Um dia, o rei saiu para caçar e levou aquele servo. Lá no mato, uma fera atacou o rei. Ele lutou, lutou e conseguiu livrar-se do animal, mas perdeu um dedo da mão. Furioso pelo que havia acontecido, disse ao servo: E agora, o que você me diz? Deus é bom? Se fosse bom não teria permitido que eu perdesse este dedo! O servo respondeu: Majestade, isso é para o seu bem! Irritado, ao voltarem para o palácio, o rei mandou açoitar e prender aquele servo. Após algum tempo, o rei voltou novamente à mata para caçar. Aconteceu que desta vez foi atacado por índios, que o levaram para a aldeia. Aqueles índios costumavam oferecer sacrifícios humanos para as suas divindades. Sem saberem que era o rei, pois não entendiam a sua língua, resolveram oferecer aquele prisioneiro em sacrifício. Mas, quando estava tudo preparado e o rei já estava diante do altar do sacrifício, o pajé, ao examinar a vítima, disse a todos: Este homem não pode ser sacrificado, pois é defeituoso. Falta-lhe um dedo. E o rei foi libertado. Quando chegou ao palácio, muito alegre e aliviado, o rei libertou o seu servo, abraçou-o afetuosamente e lhe disse: Meu caro, Deus foi realmente bom para mim. Você tem razão! Mas permita-me perguntar, se Deus de fato é bom por que Ele permitiu que eu lhe prendesse? Deus é bom, meu rei! Se não tivesse me prendido, eu iria com vossa majestade na caçada e com certeza seria devorado por eles por não me faltar dedo algum”.

Deus é muito bom para nós. Por isso merece ser amado sobre todas as coisas. O seu amor está demonstrado em cada criatura e em cada acontecimento da nossa vida. “Tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8,28). “O caminho de Deus é sem mácula. A palavra do Senhor é provada no fogo. Ele é o escudo de quem nele confia” (2Sm 22,31).

Crônica de Elias Daniel de Oliveira (10/07/2016)

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